Supercomputador em Petrópolis ajuda a entender enzima metálica inédita que pode converter resíduos agrícolas em energia
10/03/2026
(Foto: Reprodução) Enzima inédita descoberta transforma resíduos agrícolas em energia
Reprodução LNCC
O Supercomputador Santos Dumont, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, está ajudando no avanço de uma pesquisa que ajuda a entender o potencial de uma nova enzima na conversão de resíduos agrícolas, como bagaço de cana, palha de milho e aparas de madeira, em biocombustíveis e outros produtos sustentáveis.
O equipamento permitiu simulações detalhadas da estrutura e funcionamento da proteína, trabalho que segue em 2026, segundo informação divulgada nesta terça-feira (9) pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), onde o supercomputador está instalado.
O estudo sobre a descoberta da enzima, com a ajuda do supercomputador, foi publicado em março de 2025 na revista científica Nature. Agora, o objetivo é entender melhor o funcionamento e as aplicações da enzima metálica, nunca antes descrita.
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"A equipe segue avançando em novas simulações com essa enzima, utilizando o supercomputador Santos Dumont, e aguarda com grande expectativa os próximos resultados, que podem ampliar ainda mais o entendimento de seu mecanismo e potencial biotecnológico", disse a instituição, contando que o trabalho dos pesquisadores ocorre remotamente.
A pesquisa foi liderada pelo cientista Mario T. Murakami, do Laboratório Nacional de Biorrenováveis, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), e contou com a participação de pesquisadores do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), Universidade de São Paulo (USP) e instituições internacionais como Aix-Marseille University e Technical University of Denmark.
Enzima inédita
Os cientistas descobriram um microrganismo capaz de degradar biomassa vegetal e identificaram uma enzima metálica inédita.
Segundo os estudos, diferente de outras enzimas que quebram a celulose de forma aleatória, essa oxida a extremidade do polímero, liberando ácido celobiônico, componente que pode ser usado na produção de biocombustíveis e outros bioprodutos.
A estrutura da proteína é complexa: uma parte produz o peróxido de hidrogênio necessário para a reação, enquanto outra, com íon de cobre, realiza a oxidação da celulose.
Potencial para biocombustíveis
Para testar a aplicação industrial, os pesquisadores inseriram o gene da enzima em um fungo já usado na indústria. O resultado foi aumento significativo na liberação de açúcares a partir da biomassa pré-tratada, etapa essencial na produção de etanol celulósico e outros biocombustíveis avançados.
Segundo os cientistas, a descoberta pode ampliar o aproveitamento de resíduos agrícolas no Brasil e no mundo, ajudando a produzir energia renovável e produtos de alto valor.
Pesquisa com apoio do supercomputador Santos Dumont identifica proteína capaz de gerar açúcares
Santos Dumont / Divulgação LNCC