Prefeito veta projeto que daria nome de Isadora à Unidade de Urgência e Emergência de Lumiar
16/06/2026
(Foto: Reprodução) Protesto após morte da menina Isadora em Lumiar
Pablo Machado
O prefeito de Nova Friburgo, da Região Serrana do Rio, Johnny Maycon, vetou integralmente a Lei Municipal nº 5.146/2026, que previa dar o nome de Isadora da Silva Cardoso Stülpen Veiga à Unidade de Urgência e Emergência 24 Horas de Lumiar. A decisão foi encaminhada à Câmara Municipal nesta segunda-feira (15) e ainda precisará ser apreciada pelos vereadores, que poderão manter ou derrubar o veto.
A proposta, de autoria do vereador Cláudio Damião, havia sido aprovada pelo Legislativo após uma tramitação marcada por debates e divergências entre os parlamentares. O projeto foi apresentado após a morte de Isadora, de 8 anos, em dezembro de 2025.
A criança morreu depois de procurar atendimento de emergência em Lumiar e não conseguir assistência médica adequada, caso que gerou forte comoção na cidade.
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Segundo o vereador, a iniciativa surgiu a partir de uma mobilização popular realizada no distrito. De acordo com Damião, o projeto foi apresentado durante uma edição da Ação Rural de Lumiar, encontro que reuniu mais de 300 pessoas e contou com apoio dos moradores presentes.
Debates na Câmara
A discussão sobre a homenagem provocou divergências entre os vereadores. Os parlamentares favoráveis defenderam que a denominação da unidade representaria um reconhecimento à memória de Isadora e um símbolo da mobilização da comunidade após a morte da menina. Já os vereadores contrários argumentaram que a escolha poderia dividir opiniões no distrito e defenderam que a definição do nome deveria ser amplamente debatida com a população.
Na primeira votação em plenário, realizada em maio, o projeto foi aprovado por 15 votos favoráveis, dois contrários e duas abstenções. Os vereadores Carlinhos do Kiko (PL) e José Carlos Schuabb (União) votaram contra a proposta, enquanto Dirceu Tardem (PL) e Janio de Carvalho (União) se abstiveram.
Durante os debates, também foi levantada a possibilidade de homenagear outras personalidades ligadas à história de Lumiar. Apesar das divergências, o texto avançou no Legislativo e acabou aprovado em definitivo antes de ser encaminhado ao Executivo.
Vereador critica veto
Em contrarrazões apresentadas ao veto, Cláudio Damião criticou a decisão do prefeito e afirmou que a homenagem representa um pedido da população local.
"É um apelo da população este projeto. Teve manifestação, uma série de movimentos, a Câmara aprovou por unanimidade em dois turnos e o prefeito teve a cara de pau de vetar, de causar mais uma vez sofrimento à família. A Isadora morreu por falta de socorro. A Câmara tem a obrigação moral de derrubar esse veto em respeito à família e à população que propôs este projeto "declarou o vereador.
Prefeitura cita falta de consenso
Nas razões do veto, o prefeito afirma que a decisão não representa desrespeito à memória da menina nem à dor da família. Segundo o Executivo, a medida foi tomada por questões de interesse público e pela ausência de consenso entre os moradores sobre a denominação da unidade de saúde.
De acordo com a mensagem encaminhada à Câmara, a Prefeitura recebeu um ofício da Associação de Moradores e Amigos de Lumiar (AMA Lumiar) informando que a escolha do nome de Isadora não refletiria o entendimento majoritário da comunidade e teria provocado divergências entre moradores.
O governo municipal argumenta ainda que a unidade atende não apenas a população de Lumiar, mas também moradores de São Pedro da Serra e de localidades vizinhas. Por isso, segundo o documento, a escolha do nome deveria buscar maior representatividade e funcionar como elemento de união da comunidade.
A Prefeitura também destaca que existem moradores que defendem a homenagem a Dirceu Spitz, apontado pelo Executivo como uma liderança histórica do distrito e reconhecido por sua contribuição ao desenvolvimento da região. Segundo o governo municipal, a existência dessa alternativa reforça a falta de consenso em torno da proposta aprovada pela Câmara.
Consulta popular
Entre os argumentos apresentados para o veto, o prefeito sugere a ampliação do debate por meio de mecanismos de participação popular, como audiências públicas, consultas comunitárias ou até mesmo um plebiscito para definir o nome da unidade de saúde.
Segundo o Executivo, a proposta busca garantir que a decisão represente o sentimento coletivo da população e contribua para a harmonia social no distrito.
Votação ainda será marcada
O veto agora será analisado pela Câmara Municipal. Para derrubar a decisão do prefeito e manter a homenagem, os vereadores precisarão reunir votos suficientes em plenário.
Até a publicação desta reportagem, a Casa Legislativa ainda não havia definido a data da votação. O tema deve voltar a mobilizar moradores de Lumiar, familiares de Isadora e lideranças locais, reacendendo o debate sobre a homenagem à menina e sobre a participação da comunidade em decisões relacionadas aos equipamentos públicos do distrito.