Espetáculo "Desenho do Tempo" leva reflexões sobre diálogo entre gerações ao palco do Centro Cultural Sesc Quitandinha, em Petrópolis
23/10/2026
(Foto: Reprodução) O espetáculo transforma memórias, afetos e experiências compartilhadas em movimento.
@vaca18azul
Os bailarinos Renata Leoni e Marcos Mattos se apresentam nesta sexta-feira (23), às 20h, no Centro Cultural Sesc Quitandinha, em Petrópolis, Região Serrana do Rio. O espetáculo "Desenho do Tempo" transforma diferentes perspectivas de uma amizade em dança.
A sessão tem direção e coreografia da carioca Esther Weitzman. A obra aborda temas como envelhecimento, memória e o diálogo entre gerações. Todas as sessões contam com intérprete de Libras.
Depois de mais de uma década de experiência na criação de espetáculos para outros artistas, os sul-mato-grossenses dividem o palco pela primeira vez. No palco, artistas de diferentes gerações, separados por mais de 20 anos de idade, revisitam por meio da dança a trajetória de um encontro que nunca mais se desfez.
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A estreia da turnê acontece na Cidade Imperial. Em seguida, a dupla se apresenta no Sesc Nova Iguaçu (24/10), Sesc Teresópolis (30/10) e Sesc Nova Friburgo (31/10). As apresentações integram a primeira circulação dos artistas pelo estado.
A amizade entre os bailarinos começou em 2009, durante uma pós-graduação. Desde então, eles atuaram juntos em produções, direções de espetáculos e curadorias de festivais, mas nunca haviam dividido o palco como parceiros de cena. A ideia de mudar essa realidade partiu de Renata.
A amizade dos bailarinos começou em 2009, quando faziam uma pós-graduação. Desde então, dividiram produções, direções de espetáculos e curadorias de festivais, mas nunca tinham dançado juntos. A vontade de mudar isso partiu de Renata.
"Foi na pós-graduação que nos aproximamos. O Marquinhos sempre foi uma pessoa muito curiosa e queria saber mais sobre a minha experiência com a dança, porque sou mais velha do que ele e tinha mais tempo de trajetória. Foi muito bonito ver essa aproximação se aprofundar, se fortalecer e se consolidar. Depois disso, a gente não se largou mais", conta Renata Leoni.
A obra investiga como os laços construídos ao longo da vida moldam trajetórias e encontros.
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Para dirigir o duo, foi convidada Esther Weitzman, que acompanha a trajetória dos bailarinos há anos. A coreógrafa transformou a diferença de idade entre os dois em um dos principais eixos da pesquisa artística.
"Para uma criadora, ter dois artistas maravilhosos como a Renata e o Marquinhos é um presente. Eles me convidaram para criar um duo em celebração a uma amizade muito especial, marcada por uma diferença de idade. E isso é bonito: a amizade não tem relação com idade ou geração, mas com respeito, afeto, admiração e muita sinceridade", afirma Esther Weitzman.
Sobre a concepção do espetáculo, ela acrescenta: "Trabalhamos com a ideia de cartas, paisagens e do contorno do corpo de um no corpo do outro, explorando o que existe entre esses dois corpos. Também levamos duas cadeiras para a cena, buscando descobrir como elas poderiam dialogar com essa amizade", completa.
A criação aconteceu entre as duas cidades. Renata e Marcos vieram ao Rio para uma residência artística de dez dias na Casa de Pedra. Em seguida, Esther passou outros dez dias em Campo Grande, trabalhando aspectos como figurino, trilha sonora, ritmo e dinâmica antes da estreia. Para a coreógrafa, o espetáculo continua em construção até hoje.
"É um trabalho colaborativo: os dois dividem comigo o processo de criação. O mais interessante é que eles nunca ficam presos a uma forma rígida. A cada apresentação, percebo novas camadas sendo construídas e refinadas. O espetáculo dialoga com eles o tempo todo e se renova constantemente, assim como essa amizade, que também segue se transformando ao longo do tempo", afirma a coreógrafa.
Embora nasça de uma relação pessoal, Desenho do Tempo se abre para outras histórias.
"É uma relação muito singular, mas ela extrapola isso, e acho que é isso que é interessante: como ela pode tocar as pessoas nos seus modos de vida, nas suas experiências. Não é um trabalho só sobre a gente, é a partir da gente", conclui Renata.
Contemplado pelo Prêmio Ipê de Dança, da Secretaria de Cultura e Turismo de Campo Grande, o espetáculo estreou em julho de 2022. Desde então, passou pelo Festival Campão Cultural, por cinco cidades do interior de Mato Grosso do Sul, pelo Festival de Inverno de Bonito e pela Semana Dança Cariri, em Juazeiro do Norte (CE).
Agora, chega pela primeira vez ao Rio de Janeiro. A circulação é realizada por meio do edital Sesc Pulsar 2026 e tem atenção especial ao público com 60 anos ou mais e às pessoas que convivem com ele, como familiares, amigos, cuidadores e integrantes de grupos de convivência, embora seja aberta a todas as idades.
A relação entre os bailarinos é o ponto de partida para uma reflexão sobre o tempo e as conexões humanas.
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